Notícias

Em breve. Aguarde!
Artigos

1. O outro lado da Internet
Por Simone Lemes
A violência cresce dia-a-dia em proporções assustadoras e com a globalização os conhecimentos dos fatos chegam muito rápido até nossas casas.
O mundo virtual entrou em nossas vidas fazendo uma revolução na rapidez de informações, auxiliando em pesquisas e facilitando as tomadas de decisões. Tudo isso mudou o conceito sobre o apoio da tecnologia em nossas atividades, tal como conectar-nos ao mundo, viajar pelas fronteiras da imaginação e da informação num clicar do mouse.
Nos anos 90 novos caminhos se multiplicaram e, através deles, as relações virtuais entraram de modo inesperado na vida das pessoas.
Mas se a internet veio para acrescentar de forma positiva, por outro lado, está sendo utilizada também para a propagação de transgressões, delitos e crimes virtuais. Hoje, com a ajuda da tecnologia, pedófilos distribuem entre si, arquivos contendo fotos e vídeos pornográficos de menores.
A internet permite acesso a sites de temas eróticos, à busca de tipos particulares com predileções sexuais especiais. Além disso, sites ensinam como preparar bombas caseiras, cometerem suicídio e tantas outras atividades geradoras de violência.
No Brasil parte da população brasileira ainda desconhece o contato virtual. Alguns por não terem acesso, outros por medo de interagir com a máquina, mas não se pode negar que as salas de bate-papos ou chats, os jogos virtuais, sites diversos, têm influenciado comportamentos.
Se imaginarmos que indivíduos de diferentes faixas etárias em todo o lugar do mundo utilizam horas do seu dia para trocar idéias, alguns para namorar, outros para navegar por sites de todos os tipos podemos reconhecer que hoje as relações virtuais estão aí para serem discutidas e analisadas.
Apesar de a Internet ocupar atualmente um grande espaço na mídia e estar crescendo em grande velocidade, os pesquisadores na área de Psicologia apenas recentemente começaram a estudar hábitos de conexão, mudanças na vida das pessoas e problemas decorrentes do uso da Internet. O que resulta disso são poucos artigos publicados em periódicos especializados.
Precisamos debater mais esse assunto, para que possamos combater o mal que está por trás desse mundo virtual.
Simone Lemes
Psicóloga
Especialista em Psiquiatria Forense, Saúde Mental e Lei
Especialista em Psicologia Clínica
Sócia da Corti, Lemes & Maciel Perícias Ltda
[ Topo ]
2. O trabalho através dos tempos
Por Rossana Cristine Floriano Jost
É sabido que o verbo “trabalhar” vem do latim vulgar tripaliare, que significa “torturar”, derivado do latim clássico tripalium, antigo instrumento de tortura.
A partir daí, o vocábulo “trabalho” veio sempre significando fadiga, esforço, sofrimento; em suma, valores negativos, dos quais se afastavam os mais afortunados. Hoje, ao contrário, é elemento de dignificação do homem e se lhe reconhece um valor social.
Porque a evocação ao passado? Por assemelhar-se quase que tanto quanto, a um cenário de violência de onde emerge um fenômeno, que apesar de invisível, vem merecendo especial atenção, devido aos graves danos que provoca: o Assédio Moral no Trabalho, também conhecido como Acosso Laboral.
O Acosso Laboral gera desrespeito ao princípio da dignidade da Pessoa Humana, porque atinge a essência daquele que pretende consider o trabalho como forma de justificação de sua própria existência. Hoje esses terríveis desdobramentos laborais começam a incomodar, na forma de doenças ocupacionais ou problemas físico-psíquicos.
Na opinião do Dr. Zeno Simm, “há que se considerar, ainda, que não é muito antigo o entendimento de que o empregado não perde a sua condição de ser humano e cidadão (com todos os direitos e garantias à ela inerentes) pelo simples fato de transpor os umbrais da empresa, e no interior desta, realizar as tarefas para as quais foi contratado, ainda que a atividade empregatícia, por definição legal, seja prestada em uma situação de subordinação ao poder diretivo do empregador, evidenciando uma relação do tipo “poder-sujeição”.
Portanto, embora hierarquicamente submisso ao empregador, o trabalhador não pode ser privado do uso e gozo dos seus direitos fundamentais como pessoa e como cidadão”.
No entanto, as novas exigências do ambiente laboral geram múltiplos sentimentos de receios, incertezas e angústia, pois são acompanhadas por abuso de poder, ofensas repetitivas, entre outras, degradando as condições de trabalho.
As empresas, ao invés de estabelecer meios de coibir os comportamentos abusivos, transformam o ambiente laboral em campo minado pelo medo, inveja, disputas, etc.
Os métodos gerenciais utilizam ameaças de demissão e precarização do trabalho para espalhar o medo no ambiente, obrigando a condutas de obediência e submissão e que levam a uma crescente aceitação e ocultação do próprio sofrimento, bem como à indiferença diante do sofrimento do outro.
O temor faz com que as pessoas suspendam seu próprio pensamento e passam a desenvolver tolerância à injustiça, “desdramatizando” e até colaborando com ele. Trata-se de uma crise ética, em que a perversidade do sistema conduz à renúncia de lutar pelos próprios valores morais.
Também é visível a falta de confiança e cooperação entre os próprios colegas de trabalho. Sua comunicação é limitada e a linguagem objetiva predomina sobre a conversa e o diálogo. Os conflitos são superficialmente evitados e opta-se pelo discurso retórico e sedutor para buscar a “adesão” do trabalhador.
Para Sebastião Oliveira, cada vez mais “as normas legais no mundo inteiro estão associando o trabalho humano à honra, à proteção jurídica, à dignidade, à realização pessoal, ao valor e ao dever. Sendo o trabalho atividade dignificante, não pode servir de instrumento de subjugação ou de desrespeito à Pessoa Humana”.
Entretanto, desde os tempos do Brasil colônia, índios e negros foram sistematicamente humilhados por colonizadores que, de certa forma, julgavam-se superiores e aproveitavam-se dessa suposta superioridade militar, cultural e econômica para impingir-lhes sua visão de mundo, sua religião e seus costumes.
Portanto, a própria história brasileira revela que a humilhação no trabalho sempre existiu, favorecendo o aparecimento da violência, com suas mil facetas, corroborando a superioridade do gestor sobre o subordinado.
Chega o século XXI e suas mudanças promovem uma reestruturação produtiva, sobretudo impulsionadas pela introdução de novas tecnologias que levou à dispensa de mão-de-obra e à redução da massa global de salários, bem como à imposição ao trabalhador, de responsabilidades ilimitadas exigindo-lhe polivalência e sua transformação em “censor” dos colegas e de si mesmo.
A globalização e a instabilidade do mercado de trabalho também colaboraram com o sensível aumento da desestabilização das relações existentes, segundo Natália Leardini, pois tanto gestores como empregados passaram a sofrer pressões internas e externas, cada vez mais intensas, muitas vezes desmedidas e impulsionadas por competições absurdas.
Assim sendo, a nova estrutura do trabalho aumentou os índices de comportamentos abusivos, que pela sutileza típica e repetição, expõe pessoas a situações ofensivas, humilhantes e vexatórias no seu ambiente laboral, ocasionando sérios danos a sua integridade física, emocional e psicológica.
Além disso, também trouxe novas metodologias de seleção, inserção e avaliação do indivíduo no trabalho, levando a uma crônica de insatisfação social, especialmente quanto ao modus operandi das relações laborais.
André Luiz Aguiar enuncia que as práticas de humilhação “surgem pela herança cultural da coisificação do trabalhador e pela exigência do novo perfil do empregado solicitado pela cultura organizacional: busca do empregado perfeito, não questionador, maleável, polivalente e flexível”.
A perseguição de Assédio Moral inicia-se pelo adestramento do empregado não adaptável, no mesmo estilo efetuado pela catequese indígena praticada pelos jesuítas, que pode ser considerada como a primeira tentativa de adequar o perfil do trabalhador às exigências do trabalho.
Não se morre diretamente de todas essas agressões, mas perde-se uma parte de si mesmo. Volta-se para casa, à cada noite, exausto, humilhado, deprimido.
E é difícil recuperar-se.
Rossana Cristine Floriano Jost
Autora do livro "Acosso Laboral nas Organizações - Uma Realidade Velada" (veja abaixo)
[ Topo ]
Literatura recomendada

1. Acosso Laboral nas Organizações
Uma Realidade Velada
O Esclarecimento como Caminhos da Resilência
De Rossana Cristine Floriano Jost
Editora Virtualbooks, 146 p. (2009)
| |
|
 |
"Assédio Moral é a deliberada degradação das condições de trabalho, por meio do estabelecimento de comunicações abusivas que se caracterizam pela repetição por longo tempo de duração, de um comportamento hostil que um superior ou colega(s) desenvolve(m) contra um indivíduo que apresenta, como reação um quadro de miséria física, psicológica e social duradoura". HEINZ LEYMANN, psicólogo do trabalho.
Preferi utilizar a expressão "acosso", por comungar com o pensamento do Dr. Zeno Simm, quando coloca que acossar representa melhor a idéia de encurralar-se alguém, atormentar enquanto que o termo "assédio" comumente é mais usado no sentido de aproximação ou abordagem. |
[ Topo ] |